Manifesto dos Educadores:
Mais uma Vez Convocados
(Janeiro de
1959)
Mais uma vez Convocados: Manifesto ao povo e ao govêrno
(*)
Se nem todo o momento será julgado oportuno para dizer a verdade, sobretudo se
amarga e dura, não se poderá esperar ocasião para restabelecê-la, que é dever de
todos, quando desfigurada, proclamá-la sem rebuços e meias palavras. Mas também
sem veemência e brutalidade, que dêsses recursos homens de espírito não seriam
capazes de utilizar-se nem necessitam as verdades para serem sentidos ou
restauradas na plenitude de sua fôrça. É, pois, num estado de espírito, limpo de
paixões e de interêsses, que lançamos êsse novo Manifesto ao povo e ao govêrno.
Os que porventura pensam ou pensarem de maneira diferente, hão de
reconhecer-nos, por amor ao princípio de liberdade, que são os primeiros a
invocar, o direito que nos assiste e temos por um dever indeclinável, de
apresentar e submeter ao julgamento público os nossos pontos de vista sôbre
problemas da gravidade e complexidade com que se apresentam os da educação. A
verdade impõe-nos a consciência dizê-la inteira, com sinceridade radical, serena
energia e ardor lúcido, sem trazer, porém, o debate a que fomos convocados, a
terreno inconveniente, sem lhe imprimir o caráter polêmico, de antagonismos
pessoais, a que, em circunstância alguma, deveriam descer, como infelizmente já
desceram, as discussões em matéria de tamanha magnitude. No esfôrço para a
reconstituição dos fatos e a inteligência das novas condições de vida, não nos
sobressaltam os fantasmas do mêdo e da ameaça que vagueiam nessa cerração, feita
de confusões, intencionais ou inconscientes, e que, tocada por ventos fortes de
um ou outro ponto do horizonte, se adensa cada vez mais à volta de nós, tentando
subtrair-nos aos olhos as necessidades e tendências reais da educação no mundo
contemporâneo.
Esta mensagem, decorridos mais de 25 anos da primeira que em 1932 nos sentimos
obrigados a transmitir ao público e às suas camadas governantes, marca nova
etapa no movimento de reconstrução educacional que se procurou então
desencadear, e que agora recebe a solidariedade e o apoio de educadores da nova
geração. Outras, muito diversas, são as circunstâncias atuais que naturalmente
reflete êste novo documento, menos doutrinário, mais realista e positivo, na
linha, porém, do pensamento da mesma corrente de educadores. O que era antes um
plano de ação para o futuro, tornou-se hoje matéria já inadiável como programa
de realizações práticas, por cuja execução esperamos inutilmente, durante um
quarto de século de avanços e recuos, de perplexidades e hesitações. Certamente,
nesse largo período, tivemos a fortuna de constatar numerosas iniciativas do
maior alcance, muitas delas de responsabilidade direta ou sob a inspiração de
alguns dos signatários do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. Mas foram
elas ou largos planejamentos, parcialmente executados, ou medidas fragmentárias,
em setores isolados da educação ou de influências regionais, sem as conexões
indispensáveis com as diversas esferas do aparelhamento escolar, cuja estrutura
geral não se modificou, mantendo-se incongruente e desarticulada em suas peças
fundamentais. Não negamos nenhum dos princípios por que nos batemos em 1932, e
cuja atualidade é ainda tão viva, e mais do que viva, tão palpitante que êsse
documento, já velho de mais de 25 anos, se diria pensado e escrito nestes dias.
Vendo embora com outros olhos a realidade, múltipla e complexa, – porque ela
mudou e profundamente sob vários aspectos, – e continuando a ser homens de nosso
tempo, partimos do ponto em que ficamos, não para um grito de guerra que soaria
mal na boca de educadores, mas para uma tomada de consciência da realidade atual
e uma retomada, franca e decidida, de posição em face dela e em favor, como
antes, da educação democrática, da escola democrática e progressista que tem
como postulados a liberdade de pensamento e a igualdade de oportunidades para
todos.
Um pouco de luz sôbre a educação no país e suas causas
A despeito de iniciativas e empreendimentos de primeira ordem, do govêrno
federal e de Estados, que importam em reais progressos no campo educacional,
surgem por tôda a parte críticas severas a vários setores da educação no pais,
as quais, avolumando–se, tomam as proporções de um clamor geral. A organização
do ensino é má, arcaica e, além de antiquada, deficiente a tantos respeitos,
todos o afirmam; que a educação pumária, em dois, três ou quatro turnos, se
reduziu a pouco mais do que nada, que são em número extremamente reduzido as
escolas técnicas e baixou o nível do ensino secundário, ninguém o contesta; que
se agravaram desmedidamente os problemas de edificações e instalações escolares,
é outra afirmação que caiu no domínio comum e já não precisa, por sua evidência,
nem de pesquisas para pô-la à prova dos fatos nem do refôrço de pareceres de
autoridades na matéria. O professorado de ensino primário (e mesmo o do gráu
médio), além de, geralmente, mal preparado, quer sob o aspecto cultural quer do
ponto de vista pedagógico, é constituído, na sua maioria, por leigos (2/3 ou 3/4
conforme os Estados); não tem salário condizente com a alta responsabilidade de
seu papel social nem dispõe de quaisquer meios para a revisão periódica de seus
conhecimentos. Com a proliferação desordenada, sem planejamento e sem critério
algum (a não ser o eleitoral), de escolas superiores e, particularmente, de
Faculdades de Filosofia, já se podem calcular as ameaças que pesam sôbre êsse
nível de ensino, outrora com as poucas escolas tradicionais que o constituiam, e
apesar de suas deficiências, um dos raros motivos de desvenecimento da educação
nacional. Se se considerar ainda que ultrapassa de 50% da população geral o
número de analfabetos no país e que, de uma população em idade escolar (isto é,
de 7 a 14 anos) de 12 milhões de crianças, não frequentam escola senão menos da
metade ou, mais precisamente, 5.775.246, nada será preciso acrescentar, pois já
se terá, com isso, um quadro sombrio demais para lhe carregarmos as côres e
desolador demais para nos determos na indagação melancólica de outros fatos e
detalhes.
Mas fabricar com todos êsses ingredientes opinião contra a educação pública,
como se ela, a vitima, fosse responsável pelo abandono a que a relegaram os
governos, é realmente de pasmar. Pois as causas da lamentável situação a que se
degradou, por um processo de desintegração de que sòmente agora se dão conta os
seus detratores, saltam aos olhos de qualquer cidadão esclarecido e disposto a
refletir um pouco sôbre os fatos. Na impossibilidade de alongar-nos na análise
de cada uma delas, bastará apontá-las. O rápido crescimento demográfico, nestes
últimos trinta anos; o processo de industrialização e urbanização que se
desenvolve num ritmo e com intensidade variáveis de uma para outra região; as
mudanças econômicas e sócio-culturais que se produziram, em conseqüência, são
alguns dos fatôres que determinaram êsse desequilíbrio e desajustamento entre o
sistema de educação e as modificações surgidas na estrutura demográfica e
industrial do país. Processou-se o crescimento espontâneo da educação, pela
própria fôrça das cousas, e tanto mais desordenadamente quanto, em vez de se
ampliar, se reduziu a ação coordenadora do poder público, federal e estadual,
que não se dispuzeram também a dominar e a canalizar as fôrças sociais e
políticas libertadas pelas mudanças que se operaram na estrutura econômica e
industrial. A extraordinária expansão quantitativa, provocando um rebaixamento
de nível ou qualidade do ensino de todos os graus; a extrema deficiência de
recursos aplicados à educação (e, como já escreveu um de nós, "não há educação
barata como não há guerra barata"); o excesso de centralização; o desinterêsse
ou, conforme os casos, a intervenção tantas vêzes perturbadora da política; a
falta de espírito público, o diletantismo e a improvisação conjugaram-se, nesse
complexo de fatôres, para criarem a situação a que resvalou a educação pública
no país. Freqüentemente, também no plano educacional, "os que não deviam ter a
incumbência de nada (para lembrar a frase de Sieyès), encarregaram-se
obstinadamente de tudo"; e os políticos, em vez de "marcharem à frente dos
acontecimentos, como um general à frente de suas tropas", conforme aconselhava
Demóstenes; em vez de "determinarem antecipadamente as medidas capazes de
provocar o acontecimento", esperaram, infelizmente, "pelos acontecimentos para
assentarem as medidas a serem adotadas".
Não foi, portanto, o sistema de ensino público que falhou, mas os que deviam
prever-lhe a expansão, aumentar-lhe o número de escolas na medida das
necessidades e segundo planos racionais, prover às suas instalações,
preparar-lhe cada vez mais solidamente o professorado e aparelhá-lo dos recursos
indispensáveis ao desenvolvimento de suas múltiplas atividades. As aperturas
financeiras em que sempre se debateu o conjunto educacional, na variedade de
suas instituições, não podiam deixar de poderosamente contribuir para embaraçar,
retardar senão tolher os seus progressos. Mas êste não é mais do que um dos
graves aspectos da questão. Problemas como êsses, eminentemente técnicos,
enredam-se, por um lado, no plano administrativo, de dificuldades inextricáveis
para quem não possa aspirar aos foros de cousa alguma em matéria de ensino e não
tenha adquirido, no estudo e na prática diuturna, conhecimentos especiais e
experiência na administração. Não é possível, por outro lado, pretender
resolvê-los ou pô-los em via de solução enquanto não se difundir na opinião
pública e nas assembléias políticas ou não se lhes incutir na maioria a
consciência da importância primordial, da complexidade dos problemas de educação
e da irreparabilidade de suas conseqüências. Para responder ao terrível desafio
que nos lançam as sociedades modernas, numa fase crítica de reconstrução e de
mudanças radicais, o de que necessitaria o país, antes de tudo, é de governos e
de câmaras legislativas que se preocupassem em maior medida com a política a
longo prazo e cada vez menos com interêsses partidários e locais. Não se trata,
pois, agora de apurar responsabilidades que afinal se repartem, em graus
diferentes, por todos os setores da vida social, mas de fazer uma oração perante
o povo e, particularmente, perante a mocidade, – uma oração em que o mea culpa
preceda o sursum corda, o ato de contrição ao ato de esperança.
Deveres para com as novas gerações
Precisamos convencer-nos, uma vez por tôdas, que o futuro do Brasil não está na
sobra dos conlúios nem no tumulto das assembléias, mas no milagre eterno da sua
juventude, nas mãos de nossos filhos. Êle brilha, sobretudo, na profundeza de
sua alma, na claridade de seu espírito, no ímpeto de seu idealismo, na chama de
seu olhar, – a aurora dos tempos modernos. Ela representa, para cada nação, e em
cada geração que surge, uma fonte inesgotável de energias, das quais a maior
parte inexploradas, entre nós, e as que são trabalhadas pelo esfôrço do homem,
criminosamente desperdiçadas. Não ignoramos a que ponto a juventude atual, em
cuja educação se deveria concentrar o máximo de nossos esforços, sem deixar fora
das influências educativas nenhuma fração dela, se deixa seduzir pela idéia de
liberdade, pela consciência do seu direito à educação e pelo sentimento de
revolta contra a falta de escolas e o abandono a que se relegaram as existentes,
– escolas não para todos mas para privilegiados na massa enorme da população em
idade de frequentá-las. Não é como um favor, mas como um direito que ela exige a
educação com altivez e tantas vêzes com energia e veemência. Nenhum sacrifício,
no entanto, se tem feito pela nossa mocidade e nenhum govêrno ainda elevou ao
primeiro plano de suas cogitações êsse problema fundamental. Que o país pelos
seus órgãos competentes não tenha cumprido os seus deveres para com as novas
gerações, sistemàticamente esquecidas e entregues, em grande parte, à sua
própria sorte, não há sombra de dúvida. Os fatos aí estão para atestá-lo com uma
evidência agressiva. Nós mesmos, os que mais por elas temos lutado e
exaustivamente temos cuidado dessa questão em vidas inteiras dedicadas ao seu
estudo e às suas soluções, não temos escapado, da parte dos que só agora
despertaram, estremunhados, para discuti-Ia, às suas críticas e acusações.
Cremos, porém, que não temos traído, em momento algum, à nossa missão e não nos
cabe a mínima responsabilidade no estado, desolador e inquietante, a que chegou
a educação no Brasil. Dos educadores que assinaram o Manifesto de 32 e êste
também subscrevem, apoiados nos da nova geração, nenhum, de fato, teve nas mãos,
com autoridade ministerial, o poder e os instrumentos para uma ação de larga
envergadura e, quando dêles um ou outro dispôs por períodos curtos e para uma
obra de âmbito nacional ou circunscrita a êsse ou aquêle Estado, foi sem
desfalecimentos e sob a inspiração dos mesmos ideais que se empenharam em
reformas profundas e em realizações que ficaram. No entanto, não desejamos de
forma alguma, também, nós, esquivar-nos à confissão pública de culpa, onde
porventura a tenhamos tido, por ato, negligência ou omissão.
O Manifesto de 32 e o projeto de Diretrizes e Bases
É nesse mesmo Manifesto, tantas vêzes incompreendido e mal interpretado, que foi
lançada a idéia que se procura agora concretizar no projeto de lei de Diretrizes
e Bases da educação nacional, em discussão na Câmara de Deputados. Vale a pena
de desenterrar os fatos mais significativos dessa pequena história que já tem
pouco mais de um quarto de século e é afinal um dos episódios do próprio
movimento de reconstrução educacional de que tiveram alguns de nós a iniciativa
e por que vimos lutando sem descanso, entre incompreensões e hostilidades. Mas,
antes de irmos aos fatos, é do maior interêsse lembrar um dos trechos dêsse
documento, referentes à matéria. "A organização da educação sôbre a base e os
princípios fixados pelo Estado, no espírito da verdadeira comunidade popular e
no cuidado da unidade nacional, não implica um centralismo estéril e odioso, ao
qual se opõem as condições geográficas e sócio-culturais do país e a necessidade
de adaptação da escola aos interêsses e às exigências regionais. Unidade não
significa uniformidade. A unidade pressupõe diversidade. Por menos que pareça à
primeira vista, não é, pois, na centralização mas na aplicação da doutrina
federativa e descentralizadora que temos de buscar o meio de levar a cabo, em
tôda a república, uma obra metódica e coordenada, de acôrdo com um plano comum,
de grande eficácia, tanto em intensidade quanto em extensão. Ao Distrito Federal
e aos Estados, nos seus respectivos territórios, é que deve competir a educação
em todos os graus, dentro dos princípios gerais fixados na nova Constituição que
deve conter, com a definição de atribuições e deveres, os fundamentos da
educação nacional. Ao govêrno central, pelo Ministério da Educação, caberá
vigiar sôbre a obediência a êsses princípios, fazendo seguir as orientações e os
rumos gerais estabelecidos na Carta Constitucional e em leis ordinárias,
socorrendo onde haja deficiência de meios, facilitando o intercâmbio pedagógico
e cultural dos Estados e intensificando por tôdas as formas as suas relações
espirituais". O texto é claro e positivo, e é dêle, como do programa da política
educacional extraído do Manifesto, que provieram os textos respectivos de duas
Constituições, na elaboração dos quais participaram alguns de seus signatários.
Em defesa da idéia sustentada nêsse documento e mais claramente definida no
número I, letra b do programa educional que dêle se extraiu, sairam a campo os
educadores e escritores que o subscreveram. Na 5ª Conferência Nacional de
Educação que se reuniu em Niterói em janeiro de 1933, retomamos a questão nos
têrmos em que a colocamos no Manifesto. Foi dos debates travados sôbre o assunto
em comissão especial e, a seguir, no plenário, que saiu o primeiro anteprojeto,
traçado em suas grandes linhas, das diretrizes e bases da educação, de acôrdo
com o referido Manifesto. A Constituição de 1934 acolhera a idéia num
dispositivo constitucional, depois de entendimentos com um grupo de Deputados à
Assembléia Constituinte, promovidos pela Associação Brasileira de Educação que,
teve parte realmente importante nesse trabalho. A Carta Constitucional outorgada
em 10 de novembro de 1937 o suprimiu, em conformidade com as idéias
centralizadoras que voltaram a dominar, ao ser instaurado no país o Estado
autoritário. Restaurado o regime democrático, a Constituição de 1946
restabeleceu a disposição que consagra o princípio de descentralização e manda
proceder, por lei complementar, à fixação das diretrizes e bases da educação
nacional. No governo do Marechal Eurico Dutra, o Ministro Clemente Mariani
constituiu em 1947 uma Comissão de 15 professôres, por êle escolhidos e
designados, para elaborarem o projeto de lei que, aprovado pelo Ministro que de
perto acompanhou êsses trabalhos com alta compreensão dos problemas educacionais
e uma firmeza e dedicação exemplares, e encaminhado ao Presidente da República,
foi por êste submetido em 1947 à apreciação da Câmara de Deputados. Está claro
que, decorrido mais de um decênio de sua elaboração, o projeto primitivo deveria
ser reexaminado, – e efetivamente o foi com alto critério pela Comissão de
Educação e Cultura da Câmara, para o melhorar e ajustá-lo às condições atuais.
As modificações que comportava, foram introduzidas sem lhe desfigurarem a
estrutura e, particularmente, – o que prevalece a tudo, – sem o desviarem dos
dispositivos constitucionais e dos princípios que os inspiram.
A escola pública em acusação
Quando, porém, o Congresso se dispunha a iniciar a discussão dêsse projeto de
lei que ali passara por um dilatado período de hibernação, desencadeia-se
inesperadamente uma ofensiva contra a escola pública, em nome da liberdade de
ensino. Não precisamos olhar de perto demais essa estranha concepção de
liberdade, defendida em documento público que tem tido ampla divulgação.
Receiamos muito que ela não suporte bem a análise, em tôdas as suas implicações
econômicas, religiosas e políticas. Todavia, cremos entender bem o que querem
dizer; e um manifesto de educadores não poderá esquivar-se a atacar de frente as
questões que envolve e é preciso distinguir e destacar, para esclarecer a nossa
posição, ainda que nos custe essa sinceridade dissabores e incompreensões. A
luta que se abriu, em nosso país, entre os partidários da escola pública e os da
escola particular, é, no fundo, a mesma que se travou e recrudesce ora nesse,
ora naquele país, entre a escola religiosa (ou o ensino confessional), de um
lado, e a escola leiga (ou o ensino leigo), de outro lado. Êsse, o aspecto
religioso que temos o intuito de apenas apontar como um fato histórico que está
nas origens da questão, e sem a mais leve sombra de desrespeito aos sentimentos
que somos os primeiros a reverenciar, da maioria do povo brasileiro. Ela
disfarça-se com freqüência, quando não se apresenta abertamente, sob o aspecto
de conflito entre a escola livre (digamos francamente, a educação confessional)
e a escola pública ou, para sermos mais claros, o ensino leigo, a cujo
desenvolvimento sempre esteve històricamente ligado o progresso da educação
pública. Mas, continuando a decomposição do problema em seus elementos
principais, implica essa campanha contra a escola pública, se não é um dos
fatores que a desencadearam um aspecto econômico: é praticamente uma larga
ofensiva para obter maiores recursos do Estado, do qual se reclama, não aumentar
cada vez mais os meios de que necessita o ensino público, mas dessangrá-lo para
sustentar, com o esgotamento das escolas que mantem, as de iniciativa privada. O
grave documento a que acima nos referimos, "apresenta, de fato, como suas linhas
mestras (nas palavras, insuspeitas e autorizadas, d’"0 Estado de S. Paulo")
êstes três princípíos fundamentais: 1) o ensino será ministrado sobretudo pelas
entidades privadas e, supletivamente, pelo poder público; 2) o ensino particular
não será fiscalizado pelo Estado; 3) o Estado subvencionará as escolas privadas,
a fim de que estas possam igualar os vencimentos dos seus professôres aos dos
professôres oficiais. É, como se vê (conclui o grande diário), a instituição no
Brasil, do reinado do ensino livre: livre da fiscalização do Estado, mas
remunerado pelos cofres públicos" ... (1)
O aspecto político de que se procura enredá-la, é outro não menos importante
dessa questão, complexa demais para não termos o cuidado de a desemaranhar,
restabelecendo-a em seus dados históricos e suas possíveis implicações atuais. A
direita apoia, em geral, a escola livre, e a esquerda, a escola pública, e, por
ter sido freqüentemente assim, a tendência é de deslocar uma questão que se
devia pôr em têrmos de interêsse geral e acima de partidos, para o terreno de
uma luta religiosa, devido às suas implicações confessionais, – o que é preciso
evitar por tôdas as formas, – ou de uma luta entre grupos políticos, igualmente
prejudicial ao debate do problema que temos o dever de examinar em face da
Constituição Federal e conforme os princípios que regem as instituições
democráticas. Pois, em primeiro lugar já por várias vêzes direita e esquerda se
aliaram na defesa da escola pública e, em segundo lugar, não falamos em nome de
partidos, mas sob a inspiração e em defesa daqueles princípios. Em matéria
religiosa, somos pela liberdade de culto e de crenças e erguemo-nos, com o Père
J. Henri Didon, dominicano e notável orador sacro, contra todos aqueles que
"querem fazer da religião um instrumento da política (instrurnentum regni)" e
contra todos aqueles que "querem fazer da política um instrumento da religião".
Eu tenho a observar (escreveu o grande dominicano) "que nada na fé católica,
nada na autoridade eclesiástica se opõe a uma opinião liberal, republicana,
democrática. Chegou a hora talvez em que o Catolicismo deve demonstrar por fatos
públicos que sua larga idéia de universalidade não é uma palavra vã e que há
nêle lugar para tôdas as opiniões políticas desde que elas respeitem a verdade,
a justiça e a virtude." (2) Ora, somos todos os que assinamos êsse Manifesto,
educadores republicanos e democráticos, fiéis aos mais altos valores da tradição
liberal. E, quando se trata de problemas como os da educação, entendemos que
essa é "uma das questões em cujo terreno (as palavras são de Rui Barbosa) são
intrusas as paixões políticas, questão a que devemos todos concorrer com a
consciência limpa de antagonismos pessoais e de que se deve banir o gênio da
agitação, como mau companheiro da ciência e, nestes domínios, perigoso inimigo
da verdade". (3)
Violentas reações a essa política educacional em outros
países
Essa política educacional, armada em nome de uma "liberdade total" no ensino, já
foi proposta na Itália, em 1947, e, ainda êste ano, voltou a agitar os meios
escolares na França, em que os partidários da escola livre, no grande Congresso
que se reuniu em Caen, reabriram a questão. No documento que aqui pretendeu
consagrá-la, não há, pois, nenhuma invenção nova, nenhuma nova idéia. O programa
que apresenta, nada tem de revolucionário. É velho e revelho no estrangeiro e em
nosso próprio país. Em 1947, na Itália, quando se discutia o projeto da
Constituição (lembrava "0 Estado de S. Paulo" em uma de suas excelentes notas,
já citada), as bancadas mais próximas da Santa Sé propuseram que à nova Carta se
incorporasse o pacto de Latrão, convencionado em 1929 entre o Vaticano e
Mussolini. No tocante ao ensino, isto equivalia a uma política educacional
idêntica à que foi sugerida para o Brasil, – ensino livre não fiscalizado, mas
subvencionado pela Nação. Uma onda de protestos ergueu-se em todo o país,
encabeçada pelas mais altas figuras da intelectualidade peninsular.
Benedetto Croce que foi dos mais ativos no combate, escreveu: "será a nossa
renúncia às grandes conquistas do século dezenove (...). A despeito do clamor
dos intelectuais, a proposta passou. Mas a vitória foi aparente, e não real. A
mesma Constituição que no art. 7º adotou o pacto de Latrão, inscreveu depois, em
dois tópicos do art. 33, dispositivos que limitam as prescrições daquele pacto.
Um dêles assegura "às entidades e aos particulares" o direito de manter escolas
e institutos de educação, mas "sem ônus para o Estado", e o outro estabelece o
exame de Estado para a admissão às várias ordens e graus de ensino, para a
conclusão dos cursos e para a habilitação ao exercício profissional. A Itália,
portanto, não parece ter renunciado às conquistas do século XIX, tanto que Guido
Gonella, Ministro da Instrução Pública, em 1950, pôde escrever, a respeito das
relações entre o Estado e a educação, que das três posições admissíveis, – a de
monopólio, a de liberdade total e a de liberdade disciplinada, fôra escolhida
esta última: "na solução que poderemos chamar orgânica, isto é, de liberdade
disciplinada pelo Estado, as entidades e os particulares têm o direito de criar
escolas, mas dentro do quadro das normas gerais fixadas pelo Estado, ao qual
compete o poder de intervir, em defesa do bem comum, na atribuição dos títulos
escolares legalmente válidos para a vida social. A nossa Constituição (concluiu
o Ministro), – com o instituto da equivalência e do exame do Estado, – prevê
exatamente essa terceira solução".
A batalha que se travou na Itália há pouco mais de dez anos entre os partidários
da liberdade total e os da liberdade disciplinada, entre os do ensino livre e os
do ensino público, com a vitória afinal dêstes, já se anunciou na França com um
ímpeto inicial que prometia graves conflitos e parece ter-se esmorecido. "0
govêrno sentiu perfeitamente o perigo" diante das fôrças contrárias que
ràpidamente se mobilizaram e se dispunham para a luta. "Os partidários da escola
livre (observa Gilles Lapouge, em nota para "0 Estado de S. Paulo", e o confirma
o semanário "L'Express", de Paris) tinham a impressão de que o espírito laico
estava regredindo na França e, por isso, não seria muito grande a resistência
dos partidários da escola pública. Foi êsse, sem dúvida, o seu êrro, pois,
imediatamente o outro campo mobilizou, como por encanto, suas fôrças e lançou no
país uma contra-ofensiva extremamente severa". Ela representa uma violenta
reação contra a perigosa tentativa de se renegar, na França, ainda que
temporàriamente, uma dessas "grandes conquistas do século XIX", a que se referia
Benedetto Croce, e que é a escola pública. Se se considerarem a campanha que
teve de sustentar Jules Ferry quando, Ministro da Instrução Pública de 1879 a
1882, empreendeu a reforma de legislação de ensino, e a agitação considerável
que levantaram então suas propostas, provocando o choque entre os partidários do
ensino religioso e os defensores da instrução leiga, poder-se-á avaliar, em tôda
a sua extensão e gravidade, a oposição que já suscitou, com a recrudescência da
crise que traz no bôjo, a nova ofensiva contra a escola pública nesse país.
Pois, há perto de oitenta anos, por iniciativa de Jules Ferry, com quatro
projetos de lei, em que se encontravam ali disposições extremamente duras, é que
se tornaram as funções pedagógicas independentes do exercício do culto, se
estabeleceram a obrigatoriedade e a gratuidade do ensino primário e se assegurou
a restituição da colação dos graus do Estado.
As duas experiências brasileiras de "liberdade de ensino"
Também entre nós o mesmo regime de liberdade total já foi não só proposto mas
experimentado e com tal insucesso que o govêrno teve de recuar logo do caminho
em que se aventurou, – o que veio mostrar mais uma vez como são falíveis as
soluções extremas. A "novidade" inventara-se então para uso do Brasil e em
condições muito diferentes daquelas em que agora se repete: sociedade mais
estável, fundada na economia rural, de organização patrimonialista e pouco
diferenciada nos seus quadros, – naquela época; sociedade, hoje, baseada na
economia industrial, de estrutura complexa, cada vez mais diversificada sob a
ação dinâmica do processo de industrialização e, urbanização. Aparelhamento
escolar, ainda muito simples e medíocre, então, constituído de dois sistemas
superpostos e desarticulados: o popular (ensino primário, normal e o de
ofícios), cujas bases apenas se começava a lançar; e o de formação de elites,
pelas escolas secundárias e superiores, de número restrito; conjunto educacional
de estrutura de todos os graus e tipos e em face crítica de crescimento e
reorganização. Pois bem, "as duas experiências brasileiras de "liberdade de
ensino" (observa com tôda razão "0 Estado de S. Paulo" em nota já por duas vêzes
citada) foram profundamente nefastas para a educação da juventude e só
contribuíram para desmoralizar ainda mais o ensino do país. Cada uma delas teve
fisionomia particular. A de 1879, do Ministro Leôncio de Carvalho abusou
demagògicamente da expressão "ensino livre", a fim de captar o apoio da mocidade
acadêmica que naquela época constituía uma verdadeira potência. O que vigorou,
da decantada reforma, foi a dispensada, dada aos alunos, de assistir às aulas, e
a proibição, imposta aos professares, de chamar os alunos à lição. Ficaram
desertas as Academias; ninguém mais estudou; formaram-se, às dezenas, bacharéis
e médicos "elétricos", até que a própria Câmara Federal, em 1895, impressionada
com a iminência do "naufrágio do ensino superior brasileiro", reagisse para
repor as cousas nos devidos lugares. A outra experiência ocorreu no quatriênio
Hermes da Fonseca mediante a reforma Rivadávia que arrastou o Estado (como
pretende o substitutivo de agora) para o caminho da abstenção e que (também como
o substitutivo) instituiu a liberdade sem contrôle e a ampla autonomia dos
institutos oficiais. Foi uma catástrofe sob todos os aspectos, inclusive o
moral, como o demonstrou, em corajoso relatório, o Ministro Carlos Maximiliano.
Tudo isso (conclui "0 Estado de S. Paulo") nos leva a encarar com grande
apreensão a ameaça dessa terceira experiência, muito mais perigosa que as
anteriores, porque envolve também os combatidos recursos financeiros do país".
Em face da Constituição, já não há direito de escolha
Supondo, pois, gravitar para a liberdade, os projetos que querem instaurá-la sem
limitações, gravitam mas é para a desordem e a anarquia na educação. Pretendendo
subtrair ao Estado os deveres que a Constituição lhe atribuiu, e que alcançam é
largar o ensino a tôda espécie de influências de grupos de pressão, divergentes
e contraditórias. Mas a verdade é que entre as três posições que se podem tomar
em face do problema, – a do monopólio do Estado, a de liberdade total e a de
liberdade disciplinada, não nos resta mais o direito de escolha: a Constituição
Federal já a adotou, em têrmos positivos. O documento a que aludimos, inverte
totalmente êsses têrmos; o que é principal (ensino público) na Carta
Constitucional, passa a ser, nêle, supletivo, e o que supre, completa ou
substitui, isto é, a iniciativa privada, toma o lugar às funções ou ao papel que
ao Estado atribuiu. Senão vejamos os dispositivos constitucionais e demos a
palavra a quem tem autoridade para proferi-la, quando se trata de questão de
direito, – a um jurista, seja, por exemplo, o dr. Jayme Junqueira Ayres que os
aponta com admirável lucidez em parecer sôbre a matéria. "Um dos princípios
firmemente assentes na Constituição Brasileira é o de que "o ensino dos
diferentes ramos será ministrado pelos poderes públicos, e é livre a iniciativa
particular, respeitadas as leis que o regulem (Art. 167)". Não caberá aqui
(pondera o ilustre jurista) relembrar que êste princípio é uma conquista da
idade moderna e contemporânea: corre ao poder público o dever de ministrar a
educação popular. O que sobretudo cumpre e importa, é observá-lo mais do que
louvá-lo. E cumpre, por igual, observar o da liberdade à iniciativa particular,
de ministrá-Ia, respeitadas as leis respectivas". E acrescenta, em outra
passagem, com sua reconhecida autoridade: "Muito importa, pois, o que está
escrito no art. 171: "Os Estados e o Distrito Federal organizarão os seus
sistemas de ensino". Com o dispositivo acima ou sem êle, tal poder seria
igualmente dos Estados. Mas o fito da Constituição, no caso, não foi só o de
reconhecer um direito, mas sim de incumbir um dever. Daí, a ênfase. É não só
franquia, mas ônus ou obrigação de cada Estado organizar o seu sistema de
ensino. Cada Estado deve ter seu sistema local, e dêle não pode demitir-se. E
nenhuma ênfase se dirá mais justa e necessária do que esta que proclama a
indemissibilidade dos Estados de seu dever de "ministrar" ensino ao povo
brasileiro. Tão decididamente interessada está a Constituição em que os Estados
mantenham e desenvolvam seus sistemas como principais que ao sistema particular
da União deu o caráter supletivo, destinado a suprir as deficiências locais, e
obrigou a União a cooperar pecuniàriamente para o desenvolvimento daqueles
sistemas estaduais". (4)
A educação, – monopólio do Estado?
A vista dos termos da Constituição de 1946 e do projeto n.º 2.222-B/57, que fixa
as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, quem poderá afirmar a sério que o
que consagrou aquela e êste estabeleceu, tenha importado ou importe em erigir em
monopólio do Estado a educação nacional? O parecer em que se procurou
discriminar o que é constitucional do que não o é, e se recorda que "corre ao
poder público o dever de ministrar a educação" e que a escola pública é uma
conquista da idade moderna, poderá porventura ser suspeitado, quando interpreta
a rigor os dispositivos constitucionais, de pretender transferir para o Estado a
exclusividade monopolisante da educação? Onde a prova em defesa da tese
reacionária de que o Estado coage os pais e a liberdade de pensamento e de
escolha das instituições em que prefiram educar os filhos, quando e só porque
fornece o ensino público? E, quanto a nós, quem nos ouviu advogar a causa da
educação como privilégio exclusivo do Estado e, portanto, a supressão às
entidades privadas da liberdade de abrir escolas de quaisquer tipos e graus,
respeitadas as leis que regulam e tem, no interêsse comum, de regular a matéria?
Quem nos encontrou, em alguma trincheira, pugnando pelo monopólio do Estado ou
nos pode acusar de, em qualquer escrito ou de viva voz, ter procurado impor ou
mesmo indicar à mocidade escolar ideologia dêsse ou daquele partido, como
política estatal da educação? Porque não nos dispomos a fanfarrear nas festas do
ensino livre, nessa orgia de tentativas e erros a que resvalaria a educação no
país, não se segue nem se há de concluir que pregamos o monopólio do Estado.
Pela liberdade disciplinada, é que somos. Monopólio só existiria quando a
educação funcionasse como instrumento político e ideológico do Estado, como um
instrumento de dominação. Que não existe êle entre nós, estão aí por prova a
legislação do ensino que abre à iniciativa privada amplas possibilidades de
exploração de quaisquer domínios da atividade educacional, e o número crescente
de escolas particulares de todos os graus e tipos que por aí se fundaram e
funcionam, não sob o ôlho inquisidor e implacável do Estado, mas com uma
indulgência excessiva dos poderes públicos em face de deficiências de tôda ordem
e de ambições de lucro, a que, salvo não poucas e honrosas excepções, devem
tantas instituições privadas de ensino secundário a pecha de "balcões de
comércio", como as batizou Fernando de Magalhães há mais de vinte e cinco anos,
numa crítica severa de nosso sistema educacional.
Se, na esfera do ensino fundamental comum, certamente menos lucrativo, dos
5.775.246 alunos matriculados, não frequentam escolas particulares senão 720.746
(e, por isso mesmo, pela preponderância da escola pública, o que temos de
melhor, apesar de tôdas as suas deficiências, é o ensino primário), atinge a 80%
o ensino secundário entregue a particulares, – e daí exatamente decorre tôda a
grave crise em que se debate êsse grau de ensino no país. Onde, pois, como se
vê, cumpriu o Estado com mais zêlo os deveres que lhe impôs a Constituição,
progrediu o ensino, – é a parte referente à educação fundamental e superior; e
onde dêle se descuidou, descarregando suas obrigações às costas de entidades
privadas, como no caso do ensino secundário, é o que de pior se exertou no
sistema geral de educação. O dia em que êsse grau de ensino (o "secundário", que
passou a sê-lo no sentido pejorativo da palavra) tiver dos poderes públicos a
atenção que requer, e se inverter, em consequência, pela expansão do ensino
público, a referida porcentagem, alcançando o Estado mais 40 ou 60% dos 80 que
cabem agora a instituições particulares, o ensino de nível médio, na diversidade
de seus tipos de escolas (sobretudo secundárias e normais), tornará o impulso
que adquiriu o ensino primário, com tôdas as suas deficiências de escolas e
instalações, e entrará numa fase de reconstrução e de progressos reais. A
educação pública, por tôda a parte, está sujeita a crises periódicas, mais ou
menos graves, e a bruscos e passageiros eclipses. Ela atravessa, entre nós,
agora, por causas conhecidas e outras por investigar, uma dessas fases
atribuladas. O que se propõe, porém, para superar a crise que a aflige e tende a
agravar-se, segundo todos os indícios, não são providências para resolvê-la, mas
uma liberdade sem praias em que acabará por submergir tôda a organização de
ensino público que, desde os começos da república, se vem lentamente construindo
e reconstruindo, peça por peça, através de dificuldades imensas.
Pela educação liberal e democrática
Essa nova investida que irrompeu contra a interferência do Estado em matéria de
ensino, e com ares de reação contra um suposto monopólio, parece ignorar que a
educação pública, – grande conquista da democracia liberal no século XIX, já
adquiriu tal prestígio e solidez em todos os países e, entre nós mesmos, com
mais de um século de tradição, que, se fôr desmantelada, será para ressurgir
mais cedo mais tarde, com maior fôrça de expansão. De fato, (permitam-nos
recorrer, ainda uma vez, à mesma e importante nota de "0 Estado de S. Paulo"),
"foi no decurso do referido século que o Estado moderno veio chamando a si,
progressivamente, a iniciativa de criar e manter escolas de todos os graus e,
principalmente, de estender de ano em ano a rêde escolar primária, destinada a
formar, ainda que de modo incipiente, o cidadão das comunidades nacionais, –
comunidades que se expandiam e se diversificavam em todos os sentidos e que, por
isso mesmo, precisavam apoiar-se sôbre uma base afetiva e cultural comum, se
quisessem viver em paz e governar-se democràticamente". Tôda a história do
ensino nos tempos modernos é a história de sua inversão em serviço público. É
que a educação pública é a única que se compadece com o espírito e as
instituições democráticas, cujos progressos acompanha e reflete, e que ela
concorre, por sua vez, para fortalecer e alargar com seu próprio
desenvolvimento. Não há outro meio de subtrair a educação aos antagonismos e
conflitos de grupos de pressão que tendem a arrastá-la dessa para aquela
ideologia, dêsses para aqueles interêsses, que êles representam. A escola
pública, cujas portas por ser escola gratuita, se franqueiam a todos sem
distinção de classes, de situações, de raças e de crenças, é, por definição,
contrária e a única que está em condições de se subtrair a imposições de
qualquer pensamento sectário, político ou religioso. A democratização
progressiva de nossa sociedade (e com que dificuldades se processa ao longo da
história republicana) exige, pois, não a abolição, – o que seria um desatino, –
mas o aperfeiçoamento e a transformação constante de nosso sistema de ensino
público. A escola e, particularmente, a escola pública estende e tende a
estender cada vez mais, queiram ou não queiram, o seu campo de ação na medida em
que a família retrai o seu, por suas novas condições de vida e por ser o ensino
cada vez mais especializado, e em que a sociedade se diferencia e se complica,
na sua estrutura, com o desenvolvimento do processo de urbanização e
industrialização.
Mas a educação pública por que nos batemos, ontem como hoje, é a educação
fundada em princípios e sob a inspiração de ideais democráticos. A idéia da
educação pública, – conquista irreversível das sociedades modernas; a de uma
educação liberal e democrática, e a de educação para o trabalho e o
desenvovimento econômico e, portanto, para o progresso das ciências e da técnica
que residem à base da civilização industrial, são três teses fundamentais
defendidas por educadores progressistas do mundo inteiro. A educação tornou-se
uma função ou caiu "sob a ingerência e direção do público", pela extensão,
gravidade de suas consequências e sua qualidade de irreparáveis; e ao Estado que
tem um papel social de assimilação, que estabelece "a solidariedade entre as
diversas partes da comunidade nacional, as associa a uma vida comum, solda a
dependência entre as gerações", nas palavras ele Félix Pécaut, compete,
promovendo a educação pública, promover a convergência e a harmonia dos esforços
humanos lá onde aqueles que olham de baixo não vêm senão luta e competição de
grupos. A escola pública concorre para desenvolver a consciência nacional: ela é
um dos mais poderosos fatores de assimilação como também de desenvolvimento das
instituições democráticas. Entendemos, por isso, que a educação deve ser
universal, isto é, tem de ser organizada e ampliada de maneira que seja possível
ministrá-la a todos sem distinções de qualquer ordem; obrigatória e gratuita em
todos os graus; integral, no sentido de que, destinando-se a contribuir para a
formação da personalidade da criança, do adolescente e do jovem, deve assegurar
a todos o maior desenvolvimento de suas capacidades físicas, morais,
intelectuais e artísticas. Fundada no espírito de liberdade e no respeito da
pessoa humana, procurará por tôdas as formas criar na escola as condições de uma
disciplina consciente, despertar e fortalecer o amor à pátria, o sentimento
democrático, a consciência de responsabilidade profissional e cívica, a amizade
e, a união entre os povos. A formação de homens harmoniosamente desenvolvidos,
que sejam de seu país e de seu tempo, capazes e empreendedores, aptos a servir
no campo que escolherem, das atividades humanas, será, num vasto plano de
educação democrática, o cuidado comum, metódico e pertinaz, da família, da
escola e da sociedade, todo o conjunto de suas instituições.
Educação para o trabalho e o desenvolvimento econômico
Não ignoramos que a nação é uma "realidade moral"; mas, se a educação não pode,
por isso mesmo, desconhecer nenhum dos aspectos morais, espirituais e religiosos
dessa realidade, rica de tradições e lembranças históricas, ela deve igualmente
fazer apêlo a tôdas as fôrças criadoras para pô-las a serviço dos interêsses
coletivos do povo e da cultura nacional. A educação pública tem de ser, pois,
reestruturada para contribuir também, como lhe compete, para o progresso
científico e técnico, para o trabalho produtivo e o desenvolvimento econômico. A
reivindicação universal da melhoria das condições de vida, com tôdas as suas
implicações econômicas, sociais e políticas, não pode permanecer insensível ou
mais ou menos indiferentes a educação de todos os graus. Se nesse ou naquele
setor, como o ensino de grau médio e, especialmente, o técnico, a precária
situação em que ainda se encontra a educação, está ligada ao estágio de
desenvolvimento econômico e industrial, ou, por outras palavras, se dêste
dependem os seus progressos, é legítimo indagar em que sentido e medida a
educação, em geral, e em particular, a preparação científica e técnica pode ou
deve concorrer para a emancipação econômica do país. Os povos vêm demonstrando
que "o seu poder e sua riqueza dependem cada vez mais de sua preparação para
alcançá-los ". Não há um que desconheça e não proclame a importância e a
eficácia do papel da educação, restaurada em bases novas, na revisão de valores
e de mentalidade, na criação de novos estilos de vida, como na participação do
próprio progresso material. Se insistimos neste ponto e lhe damos maior ênfase,
não é sòmente pelas conclusões a que nos leva a análise da civilização atual e
de suas condições especiais, como também por ser êsse, exatamente, em nosso
sistema de ensino, um dos aspectos mais descurados. A educação de todos os
níveis deve, pois, como já se indicou em congressos internacionais, "tornar a
mocidade consciente de que o trabalho é a fonte de tôdas as conquistas materiais
e culturais de tôda a sociedade humana; incutir-lhe o respeito e a estima para
com o trabalho e o trabalhador e ensiná-la a utilizar de maneira ativa, para o
bem estar do povo, as realizações da ciência e da técnica", que, entre nós,
começaram apenas a ser socialmente consideradas como de importância capital.
A revolução industrial, de base científica e tecnológica que se expande por tôda
a parte, em graus variáveis de intensidade; as reivindicações econômicas ou a
ascensão progressiva das massas e a luta para melhorar suas condições de vida
(pois a riqueza está evidentemente mal distribuída e, como tantas vêzes já se
lembrou, "não devemos pensar que podemos impunemente continuar a enriquecer
enquanto o resto da população empobrece"); e, finalmente, a expansão do
nacionalismo pelo mundo inteiro, são fatos sumamente importantes a que não nos
arriscamos a fechar os olhos, e cujas repercussões, no plano educacional, se vão
tornando cada vez mais largas e profundas. O nosso aparelhamento educacional
terá também de submeter-se a essas influências para ajustar-se às novas
condições, e só o Estado, pela amplitude de, seus recursos e pela larguesa de
seu âmbito de ação, poderá fazer frente a tais problemas e dar-lhe soluções
adequadas, instituindo, mantendo e ampliando cada vez mais o sistema de ensino
público e estimulando, por todos os meios, as iniciativas de entidades e
particulares. A inteligência racional e o espírito e métodos científicos, que
não obtiveram os seus primeiros e grandes triunfos senão no século XIX,
denunciam a sua difusão, por igual, nas sociedades capitalistas e socialistas,
pela aplicação crescente das novas técnicas em todos os domínios, pelas crises e
rupturas de organização econômica e social que provocaram, modificando
profundamente os modos de vida e os estilos de pensamento. Além de intelectuais
e estudiosos, cada vez mais competentes espíritos criadores, nos domínios da
filosofia, das ciências, das letras e das artes, "temos que preparar (observou
com razão um de nós) a grande massa de jovens para as tarefas comuns da vida,
tornadas técnicas senão difíceis, pelo tipo de civilização que se desenvolveu em
consequência de nosso progresso em conhecimento, e para os quadros vastos,
complexos e diversificados das profissões e práticas, em que se expandiu o
trabalho especializado. Mudaram, pois, os alunos, – hoje todos e não apenas
alguns –; mudaram os mestres, – hoje numerosos e nem todos especialmente
chamados pela paixão do saber; e mudaram os objetivos da escola, hoje práticos,
variados e mais profissionais e de ciência aplicada do que de ciência pura e
desinteressada". É o que mais ou menos já propugnava Rui Barbosa, no alvorecer
deste século, quando mostrava a necessidade de "limitar as superabundâncias da
teoria, de robustecer científica e profissionalmente, a um tempo, o ensino,
saturando-o de prática, de trabalhos investigativos, de hábitos experimentais".
Para a transformação do homem e de seu universo
E aqui ferimos um ponto que é da maior importância, sôbre o qual nos temos
detido muitas vêzes e escreveu Luis Reissig uma página excelente, em que analisa
a técnica, como fator revolucionário na educação. O fato de, na apreciação
dêsses problemas, coincidirem com frequência os pontos de vista de pensadores e
educadores de países diferentes, é um dos sinais mais característicos da
semelhança que apresentam, na civilização industrial, as situações concretas que
ela vem criando por tôda a parte e que impelem às mesmas reflexões. Antes das
descobertas científicas e suas extraordinárias aplicações técnicas, que abriram
o campo às três grandes revoluções industriais, "o principal papel do ensino
consistia em dotar o homem de conhecimentos e instrumentos para a apropriação e
uso de seu ambiente e, em seguida, para a transformação e evolução dêste; mas,
quando as condições de seu meio pareciam manter um recalcitrante estado de
fixidez, como no caso da economia agro-pecuária, – a tendência da escola era
procurar que o indivíduo se adaptasse e se submetesse ao seu ambiente, como por
exemplo a adaptação à vida rural, quando êsse tipo de vida aparecia em forma
predominante, renunciando assim a estimular uma característica singular e
valiosa do homem: a iniciativa para as mudanças. Para o homem da era tecnológica
êsse ensino adaptativo chega a ser pernicioso, pois o universo tem de ser para
êle, cada vez mais, um campo de experiência e de renovação. A era tecnológica
marca a fim do processo de ensino para a adaptação e o comêço do processo de
ensino para a evolução do homem e de seu universo, partindo de condições
técnicas criadas exclusivamente por êle. Já não deve preocupar tanto o homem (as
palavras ainda são de Reissig) o tipo do ambiente em que esteja vivendo, para
ajustar a êste o seu sistema de ensino, embora deva relacionar ambos, pois está
em caminho de mudar radicalmente tôda a classe de condições que sejam dadas.
Antes havia de aceitá-las e aproveitá-Ias o melhor possível (...); mas agora não
há nada impossível, em princípio, para o homem, no que toca à transformação das
condições de seu ambiente, favoráveis ou adversos".(5) Daí, a necessidade de uma
preparação científica e técnica que habilitará as gerações novas a se servirem,
com eficácia e em escala cada vez maiores, de todos os instrumentos e recursos
de que as armou a civilização atual.
A história não avança por ordem ...
As profundas transformações operadas em consequência "da preponderância da
economia industrial sôbre as formas economicas que a precederam", determinam, de
fato, e tem de determinar, nos sistemas de ensino, grandes mudanças que permitam
"ampla participação de todos os estudos e práticas, desde a escola primária
completa até os mais altos níveis de estudos superiores". Já se vê, mais uma
vez, que essa participação, com a amplitude que deve ter, para colher tôda a
população em idade escolar, não pode ser senão obra do Estado, pela escola
universal, obrigatória e gratuita, e uma sucessão de esforços ininterruptos,
através de longos anos, inspirados por uma firme política nacional de educação.
Ela significará, na justa observação de Reissig, "a maior revolução educacional
de todos os tempos, porque será a primeira expressão popular da capacidade da
maioria para administrar, organizar e governar, como só até agora tem podido
fazê-lo as elites". A tudo isso, como a qualquer plano de organização, em bases
mais sólidas e democráticas, da educação nacional, opõem-se abertamente as
fôrças reacionárias, e nós sabemos muito bem onde elas se encontram e quais são
os seus maiores redutos de resistência. Na luta que agora se desfechou e para a
qual interêsses de vária ordem, ideológicos e econômicos, empurraram os grupos
empenhados em sustentá-la, o que disputam afinal, em nome e sob a capa de
liberdade, é a reconquista da direção ideológica da sociesdade, – uma espécie de
retôrno à Idade Média, e os recursos do erário público para manterem
instituições privadas, que, no entanto, custeadas, na hipótese, pelo Estado, mas
não fiscalizadas, ainda se reservariam o direito de cobrar o ensino, até a mais
desenvolta mercantilização das escolas. Serão desvios e acidentes no processo
histórico de desenvolvimento da educação no país: a história, porém, não avança
por ordem ou dentro de um raciocínio lógico, e o problema é antes saber através
de qual das desordens, criadoras ou arruinadoras, procuraremos, chegado o
momento, encaminhar a nossa ordem, que é a que a Constituição Federal
estabeleceu e consulta os supremos interêsses da nação. Em todo o caso,
esperamos reconheçam o nosso desprendimento, desinterêsse pessoal, devoção
constante ao bem público e à causa do ensino. "Todos os violentos, escreveu Rui,
fizeram sempre, a seu favor, o monopólio do patriotismo. Todos êles têm o
privilégio tradicional de patriotas por decreto próprio e patriotas com exclusão
dos que com êles não militam. Não queremos crer que o nosso ilustre inpugnador
esteja neste número. Mas, a não ser nas mãos do fabricante, muito receio temos
de que essa máquina de filtrar se converta em máquina de oprimir". (6) E nós,
patriotas também, –
mas não exclusivamente, – e educadores que nos prezamos de ser, temos não só o
direito mas o dever de lutar por uma política que possa acudir "à sêde
incoercível de educação nas massas populares", a que já se referia Clemente
Mariani, e de opor-nos a tôdas as medidas radicais que, sob as aparências
enganadoras de liberdade, tendem forçosamente a conduzir-nos ao caminho perigoso
da anarquia senão das pressões ideológicas, abertas ou dissimuladas.
Assinam o Manifesto:
1) Fernando de Azevedo
2) Júlio Mesquita Filho
3) Antônio Ferreira de Almeida Júnior
3) Anísio Spínola Teixeira
5) A. Carneiro Leão
6) José Augusto B. de Medeiros
7) Abgar Renault
8) Raul Bittencourt
9) Carlos Delgado de Carvalho
10) Joaquim de Faria Góes Filho
11) Arthur Moses
12) Hermes Lima
13) Armanda Alvaro Alberto
14) Paulo Duarte
15) Mário de Brito
16) Sérgio Buarque de Holanda
17) Nelson Werneck Sodré
18) Milton da Silva Rodrigues
19) Nóbrega da Cunha
20) Florestan Fernandes
21) Pedro Gouvêa Filho
22) A. Menezes de Oliveira
23) João Cruz Costa
24) Afrânio Coutinho
25) Paschoal Lemme
26) José de Faria Góes Sobrinho
27) Haiti Moussatché
28) J. Leite Lopes
29) Gabriel Fialho
30) Jacques Danon
31) Maria Laura Monsinho
32) Maria Yedda Linhares
33) Anne Danon
34) Roberto Cardoso Oliveira
35) Oracy Nogueira
36) Luis de Castro Faria
37) Amilcar Viana Martins
38) Branca Fialho
39) Euryalo Cannabrava
40) Thales Mello de Carvalho
41) Ophelia Boisson
42) Francisco Montojos
43) Joaquim Ribeiro Darci Ribeiro
44) Egon Schaden
45) Jaiyme Abreu
46) Juracy Silveira
47) Lídio Teixeira
48) Eurípedes Simões de Paula
49) Carlos Correia Mascaro
50) Renato Jardim Moreira
51) Azis Simão
52) Maria Isaura Pereira de Queiroz
53) Lúcia Marques Pinheiro
54) Armando de Campos
55) Laerte Ramos de Carvalho
56) Maria José Garcia Wereb
57) Fernando Henrique Cardoso
58) Samuel Wereb
59) Ruth Correia Leite Cardoso
60) Carlos Lyra
61) Joaquim Pimenta
62) Alice Pimenta
63) Maria lsolina Pinheiro
64) Rui Galvão de Andrada Coelho
65) Mário Barata
66) Luís Eucídio Melo Filho
67) Mário Travassos
68) José Lacerda Araújo Feio
69) Otacílio Cunha
70) Víctor Staviarski
71) Cesar Lattes
72) José Alberto de Melo
73) L. Laboriau
74) 0. Frota Pessoa
75) Celso Kelly
76) Alvaro Kilkerry
77) Bayart Damaria Bolteaux
78) Afonso Varzea
79) Mário Casassanta
80) Luis Palmeira
81) Joel Martins
82) Fritz Delauro
83) Raul Rodrigues Gomes
84) Mecenas Dourado
85) Perseu Abramo
86) lva Weisberg
87) Linneu Camargo Schultzer
88) Alvércio Moreira Alves
89) Douglas Monteiro
90) David Perez
91) Moises Brejon
92) Paulo Leal Ferreira
93) José de Almeida Barreto
94) Paulo Roberto de Paula e Silva
95) Afonso Saldanha
96) Jorge Leal Ferreira
97) Jorge Barata
98) A. H. Zimermann
99) Cesar Veiga
100) Diógenes Rodrigues de Oliveira
101) Mendonça Pinto
102) Silvestre Ragusa
103) Augusto Rodrigues
104) Nelson Martins
105) Dulce Kanitz
106) Paulo Maranhão
107) Neusa Worllo
108) Alvaro Palmeiro
109) Rubens Falcão
110) Otavio Dias Carneiro
111) Jaime Bittencourt
112) Geraldo Bastos Silva
113) Letelba Rodrigues de Brito
114) Joaquina Daltro
115) Honório Peçanha
116) Helena Moreira Guimarães
117) Ester Botelho Orêstes
118) Mariana Alvim
119) Aldo Muylaert
120) Irene de Melo Carvalho
121) Tasso Moura
122) Cecília Meirelles
123) Maria Geni Ferreira da Silva
124) Jorge Figueira Machado
125) Paulo Campos
126) Tarcisio Tupinambá
127) Baltazar Xavier
128) Teófilo Moisés
129) Gastão Gouvêa
130) Albino Peixoto
131) Dalila Quitete
132) Augusto de Lima Filho
133) Miguel Reale
134) Manoel de Carvalho
135) Wilson Martins
136) Milton Lourenço de Oliveira
137) Roberto Danemann
138) Silvia Bastos Tigre
139) Wilson Cantoni
140) Raul Sellis
141) Silvia Maurer
142) Gui de Holanda
143) Adalberto Sena
144) Antonio Candido de Melo e Souza
145) Inezil Pena Marinho
146) Maria Thetis
147) Alberto Pizarro Jacobina
148) Alvaro Vieira Pinto
149) Modesto de Abreu
150) Zenaide Cardoso Schultz
151) Celita Barcelos Rosa
152) lsmael França Campos
153) Zilda Faria Machado
154) Iracema França Campos
155) Alfredina de Souto Sales Sommer
156) Oto Carlos Bandeira Duarte Filho
157) Valdemar Marques Pires
158) Viriato da Costa Gomes
159) Niel Aquino Casses
160) Terezinha de Azeredo Fortes
161) Hugo Regis dos Reis
(*) Manifesto redigido por Fernando de Azevedo e publicado em vários órgãos da
imprensa no dia 1º de Julho de 1959. Publicado também em revistas de educação.
(1) O Estado de S. Paulo, de 7 de janeiro de 1959. Liberdade de
ensino remunerada, in "Notas e Informações".
(2) Père J. Henri Didon, Indissolubitité et Divorce. Conférences
de Saint-Phillipe du Roule. (Conferências publicadas em 1880 e reeditadas em
1892). As palavras acima referidas são datadas de janeiro de 1880.
(3) Palavras com que Rui Barbosa concluiu em 6 de junho de 1901 o seu discurso
no Senado e se preparava para a defesa da reforma do ensino, in Obras
Completas, Vol. XXVIII, 1901, tomo 1. Discursos Parlamentares.
Ministério da Educação e Cultura, Rio de Janeiro, 1955.
(4) Jayme Junqueira Ayres. Inconstitucionalidade do Substitutivo do
Deputado Carlos Lacerda ao Projeto 2.222-B/1957, que fixa as Diretrizes
e Bases da Educação Nacional. Rio de Janeiro, 15 de maio de 1959.
(5) Luis Reissig, El cliclo agropecuario y el ciclo industrial en la educación,
in La Educación, nº 12, Octobre-Deciembre, 1958. Union
Panamericana, Washington, DC.
(6) Rui Barbosa, Pelo exército e contra o militarismo, in Obras Completas,
VII. Campanhas Jornalísticas, República (1893-1899), 2º vol. Casa de Rui
Barbosa. Ministério de Educação, Rio de Janeiro, 1956.